quarta-feira, 5 de março de 2014

Voyeur Macabre - Parte 1

 Prazer, meu nome é Evandro. Peço mil desculpas por você ter me conhecido em uma situação como essa. Só espero que sua curiosidade seja maior do que sua repulsa. Espero que não me abandone aqui. Espero que sua morbidez permita que você conheça minha história. Não minha história toda, meu passado não é tão interessante assim, apenas a pequena parte que culmina com nós dois, aqui, nesse momento.
Por mais que eu me esforce, não consigo me lembrar do “antes”, mas o antes foi apenas um abalo na minha, sempre rígida e monótona, rotina. Sei que quando acordei, as cartas já estavam todas sobre a mesa, a roda do destino já estava girando e girando, eu havia me tornado apenas um espectador da minha própria vida e da dos outros. A única maneira de escapar era desligando a TV.
Sei que tudo vai parecer um tanto quanto fantasioso, mas antes de decidir se vai acreditar em mim ou não, dê uma boa olhada para mim, analise-me de cima a baixo e tire suas próprias conclusões.
Quando acordei, antes mesmo de abrir os olhos, lembro-me de ter pensado que a minha cabeça iria explodir de tanta dor. Só então percebi que estava com todos os movimentos do corpo limitados. Eu estava completamente envolto em fita, sentado, atado a uma cadeira. Meu braço esquerdo havia sido enrolado junto ao corpo, enquanto o direito estava suspenso, também totalmente imobilizado. Minha mão segurava um objeto que terminava encostado na lateral de minha cabeça. A situação era desesperadora. Minha primeira vontade foi a de me debater loucamente, mas com uma epifania, percebi que o objeto que eu segurava contra a minha cabeça tinha todas as características táteis de um revólver. Constatei, logo em seguida, que de todo o meu corpo, a única parte livre era o dedo indicador apoiado no que supus ser o gatilho.
Eu sei que parece muita coisa para se fazer, antes de se abrir os olhos, mas tudo isso aconteceu em pouquíssimos segundos, minha cabeça doía e processava todas as informações em uma velocidade alucinante.
Quando finalmente os abri, vasculhei um quarto com paredes nuas, a única mobília era uma grande cama de casal encostada na parede oposta. A cama era linda e parecia extremamente confortável. Destoava completamente do resto do ambiente. O chão era sujo e cheio de marcas escuras, as paredes estavam tomadas de marcas de umidade que já se transformavam em bolor. Se houvesse uma janela naquele quarto, ela deveria estar atrás de mim e eu nunca cheguei a vê-la. Havia uma porta na parede à minha esquerda e o quarto era iluminado apenas por uma lâmpada fraca que emitia uma luz lilás. Na parede em que a cama havia sido encostada havia duas palavras francesas escritas em tinta vermelha escura muito escorrida: Voyeur Macabre.

Tentei fazer força para me mover, pulando com a cadeira, mas ela deveria ter sido afixada no chão, pois minhas tentativas não tiveram nem um esboço de resultado. O esforço só fez com que minha cabeça latejasse com mais violência, tornando a dor pulsante insuportável. Naquele momento, não sei se acabei dormindo ou se desmaiando. Sei que tudo ficou muito confuso e eu tive a esperança de estar sofrendo de uma paralisia do sono. Torci com toda a minha força de vontade para que eu acordasse em minha cama, em minha casa. Mas é claro que isso não aconteceu, senão jamais teríamos nos encontrado. O pior ainda estava por vir.

2 comentários:

  1. Como eu disse na conversa do face, eu queria muito saber o que vai acontecer, acho que você me prendeu muito bem no conto, e isso é de muito valor, mas também como disse não gosto de como você conta, desse dialogo, mas não quer dizer que é ruim.

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  2. Agora sim, estou menos carente hahahahha

    Obrigado por comentar :D

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