Prazer, meu nome é Evandro. Peço mil desculpas
por você ter me conhecido em uma situação como essa. Só espero que sua
curiosidade seja maior do que sua repulsa. Espero que não me abandone aqui.
Espero que sua morbidez permita que você conheça minha história. Não minha
história toda, meu passado não é tão interessante assim, apenas a pequena parte
que culmina com nós dois, aqui, nesse momento.
Por
mais que eu me esforce, não consigo me lembrar do “antes”, mas o antes foi
apenas um abalo na minha, sempre rígida e monótona, rotina. Sei que quando
acordei, as cartas já estavam todas sobre a mesa, a roda do destino já estava
girando e girando, eu havia me tornado apenas um espectador da minha própria
vida e da dos outros. A única maneira de escapar era desligando a TV.
Sei
que tudo vai parecer um tanto quanto fantasioso, mas antes de decidir se vai
acreditar em mim ou não, dê uma boa olhada para mim, analise-me de cima a baixo
e tire suas próprias conclusões.
Quando
acordei, antes mesmo de abrir os olhos, lembro-me de ter pensado que a minha
cabeça iria explodir de tanta dor. Só então percebi que estava com todos os
movimentos do corpo limitados. Eu estava completamente envolto em fita,
sentado, atado a uma cadeira. Meu braço esquerdo havia sido enrolado junto ao corpo,
enquanto o direito estava suspenso, também totalmente imobilizado. Minha mão
segurava um objeto que terminava encostado na lateral de minha cabeça. A
situação era desesperadora. Minha primeira vontade foi a de me debater
loucamente, mas com uma epifania, percebi que o objeto que eu segurava contra a
minha cabeça tinha todas as características táteis de um revólver. Constatei,
logo em seguida, que de todo o meu corpo, a única parte livre era o dedo
indicador apoiado no que supus ser o gatilho.
Eu
sei que parece muita coisa para se fazer, antes de se abrir os olhos, mas tudo
isso aconteceu em pouquíssimos segundos, minha cabeça doía e processava todas
as informações em uma velocidade alucinante.
Quando
finalmente os abri, vasculhei um quarto com paredes nuas, a única mobília era
uma grande cama de casal encostada na parede oposta. A cama era linda e parecia
extremamente confortável. Destoava completamente do resto do ambiente. O chão
era sujo e cheio de marcas escuras, as paredes estavam tomadas de marcas de
umidade que já se transformavam em bolor. Se houvesse uma janela naquele
quarto, ela deveria estar atrás de mim e eu nunca cheguei a vê-la. Havia uma
porta na parede à minha esquerda e o quarto era iluminado apenas por uma
lâmpada fraca que emitia uma luz lilás. Na parede em que a cama havia sido
encostada havia duas palavras francesas escritas em tinta vermelha escura muito
escorrida: Voyeur Macabre.
Tentei
fazer força para me mover, pulando com a cadeira, mas ela deveria ter sido
afixada no chão, pois minhas tentativas não tiveram nem um esboço de resultado.
O esforço só fez com que minha cabeça latejasse com mais violência, tornando a
dor pulsante insuportável. Naquele momento, não sei se acabei dormindo ou se
desmaiando. Sei que tudo ficou muito confuso e eu tive a esperança de estar
sofrendo de uma paralisia do sono. Torci com toda a minha força de vontade para
que eu acordasse em minha cama, em minha casa. Mas é claro que isso não
aconteceu, senão jamais teríamos nos encontrado. O pior ainda estava por vir.
Como eu disse na conversa do face, eu queria muito saber o que vai acontecer, acho que você me prendeu muito bem no conto, e isso é de muito valor, mas também como disse não gosto de como você conta, desse dialogo, mas não quer dizer que é ruim.
ResponderExcluirAgora sim, estou menos carente hahahahha
ResponderExcluirObrigado por comentar :D