Ela
Os
olhos de Júlia acompanhavam o homem carregando as sacolas de compra para longe.
Tchau, tchau, homem lindo....
-
CPF na nota?
Virando
o rosto para frente, a expressão ainda meio perdida nos devaneios, ela se
deparou com o rosto da atendente que a olhava com um sorriso divertido e um
olhar cúmplice. A realidade voltou à tona como um turbilhão, trazendo consigo
um pouco de vergonha por ter sido surpreendida com a guarda baixa.
-
Não, obrigada.
Como
eu sou boba, agindo como uma adolescente... Escolhendo a fila do caixa só pra
poder ficar mais tempo olhando aquele homem... Mas... Que homem!
Apesar
do chocolate que carregava na sacola, aquela semana não estava nada fácil. Após
míseros cinco segundos procurando as chaves do carro na bolsa, já sentia o
sangue fervendo em suas veias. Ainda teria de conseguir convencer seu namorado,
Luís, que talvez não fosse uma boa noite para passarem juntos. Ela queria a
companhia dele, mas só de pensar naquele sorriso irônico que ele dava algumas
vezes, quando ela dizia alguma coisa que ele discordava, ela já sentia vontade
de esganá-lo. De fato, seria melhor que não se vissem. No entanto, na mesma medida
da irritação, sentia-se excitada. O homem da fila, por exemplo, não era nenhum
Deus grego, era até um pouco gordinho, mas alguma coisa na postura dele a tirou
do sério. Talvez a calça um pouco apertada ressaltando a bunda, talvez a barba
por fazer, um pouco grisalha, ou o sorriso franco e a firmeza gentil com que
respondeu a atendente.
Enfiava
a chave na porta de sua casa quando o celular tocou.
-
Oi, amor, acabei de chegar. Acho melhor não, estou bem cansada. Não, é sério...
Deixa pra amanhã. Por favor, amor, deixa pra amanhã... Luís, deixa pra amanhã.
Tá, depois a gente se fala. Eu também. Tchau.
Ficou
ainda um tempo olhando para o celular. Arrependida, talvez. O sexo com Luís era
gostoso e ela sempre ficava muito excitada. Mas faltava alguma coisa. Ela não
tinha coragem de fazer as coisas que imaginava com ele e não sabia como ele
reagiria se fizesse. Ele também não parecia se preocupar muito com o prazer
dela. Júlia nunca havia tido um orgasmo com Luís. Não, não estava arrependida,
aquela noite ela queria ter um orgasmo e para isso queria estar sozinha.
Durante
o banho começou a se acariciar, mas parou. Queria fazer aquilo deitada, no
escuro. Ainda com a toalha enrolada no corpo e o cabelo molhado, deitou na cama
e passou a imaginar aquele homem sem nome beijando seus ombros. Imaginou como
aquela barba deveria arranhar um pouco sua pele e sentiu-se arrepiar, sua
imaginação tornava a cena cada vez mais real.
Devagar,
ele soltou parte do peso sobre o corpo de Júlia, uma mão apoiada no colchão, a
outra segurando fortemente a cintura dela. Ela podia sentir o calor daquela mão
firme se espalhando pelo corpo. A respiração dos dois era ofegante. A
expectativa dela era a de que ele parasse de beijar seu pescoço e beijasse sua
boca, mas ele subia lentamente em direção à orelha. Foi quando ouviu a voz
sussurrada, meio rouca, em seu ouvido:
-
Você é linda.
Júlia
sentiu o corpo dele se afastar por um instante e a mão firme soltando de sua
cintura para segurar seu ombro e virar seu corpo de barriga pra cima. Sentiu-se
exposta, mas estranhamente, daquele homem ela não sentia vergonha. Sentiu que
tinha poder pra fazer o que quisesse com ele. E quando finalmente os lábios
quentes do homem sem nome se aproximaram dos seus, ela segurou sua cabeça e
empurrou em direção a seus seios. Teve um vislumbre de um sorriso safado no
rosto dele, antes de sentir um beijo, logo abaixo do mamilo. Júlia chegou a
prender a respiração de tanto prazer conforme a língua passeava por seu mamilo
em movimentos circulares. Mas ela queria mais prazer que aquilo. Novamente
empurrou a cabeça do homem para baixo, para senti-lo beijando sua barriga, seu
ventre, sua virilha.
Sentiu
seu corpo estremecer por inteiro quando aquela barba mal feita roçou pela
primeira vez em sua boceta. Mas somente quando sentiu a leve mordida em seu
clitóris é que deixou escapar o primeiro gemido. Daí pra frente, Júlia não
conseguia mais se conter. Segurou com força os cabelos do homem, segurando a
cabeça entre suas pernas. Seu quadril fazia os movimentos do ato sexual enquanto
sentia a língua se mover por seu clitóris. Uma das mãos apertava seu seio,
firme, mas não com força. Sentia tanto prazer que tinha a impressão de que sua
cabeça derreteria a qualquer instante.
Foi
quando suas mãos fraquejaram e ela sentiu o a boca do homem se afastar de sua
boceta. Ela ia protestar, mas ele havia retomado o controle. Novamente, virou
seu corpo de bruços na cama e ela sentiu o corpo quente deitando sobre o seu.
Sentiu o pau dele entrando vagarosamente em sua boceta completamente encharcada
e desejou que aquela sensação fosse eterna. O homem beijava seu corpo e falava
coisas em seu ouvido que ela não conseguia mais entender, apenas ouvia a voz
rouca e se derretia mais um pouco. As duas mãos seguravam seus seios e dedos
acariciavam seus mamilos. O pau entrava e saia de seu corpo, não rápido, não
devagar, mas constante e ritmado. Voltou a gemer e sentia que não conseguiria
mais se segurar. Chegou a pensar em pedir para que ele parasse, mas pra que?
Ela queria que ele continuasse, ela queria o orgasmo. Sua respiração estava
curta e não existiam mais pensamentos. Sentiu que explodiria em milhões de
pedaços e o pau continuava entrando e saindo. Não se conteve mais e explodiu.
O
mundo desvaneceu por alguns segundos. O ar esvaziou de seus pulmões. Sentia-se
leve.
Sozinha
na cama e com a mão molhada, Júlia rolou para o lado e se deixou ficar por mais
uns instantes.
No mundo dos pensamentos não há fronteiras.
ResponderExcluirBem, só leio seus contos de não-terror, então ai vai minha critica: Poste mais, Julia foi o nome da minha primeira namoradinha então é fácil de eu entrar na historia como o namorado excluído KKKKKKKKKKKKK
ResponderExcluirNunca li um conto erótico gostei muito,
soa poético porque o sexo é algo bonito e ensinam como se fosse pecado,
e de fato a historia não se trata só do prazer.
legau ! ;)
Cara, gostei mesmo do seu comentário. Não porque ele elogia o conto, mas porque você entendeu o real MOTIVO de eu escrevê-lo!!
ResponderExcluir"Sexo é algo bonito e ensinam como se fosse pecado"