quarta-feira, 18 de junho de 2014

Ela

Senhores e senhoritas, leitores e escritores do Blog. Pretendo escrever uma série de contos eróticos, sendo esse o primeiro de todos. Caso você seja sensível a este tipo de leitura, simplesmente abstenha-se

Ela

Os olhos de Júlia acompanhavam o homem carregando as sacolas de compra para longe. Tchau, tchau, homem lindo....
- CPF na nota?
Virando o rosto para frente, a expressão ainda meio perdida nos devaneios, ela se deparou com o rosto da atendente que a olhava com um sorriso divertido e um olhar cúmplice. A realidade voltou à tona como um turbilhão, trazendo consigo um pouco de vergonha por ter sido surpreendida com a guarda baixa.
- Não, obrigada.
Como eu sou boba, agindo como uma adolescente... Escolhendo a fila do caixa só pra poder ficar mais tempo olhando aquele homem... Mas... Que homem!
Apesar do chocolate que carregava na sacola, aquela semana não estava nada fácil. Após míseros cinco segundos procurando as chaves do carro na bolsa, já sentia o sangue fervendo em suas veias. Ainda teria de conseguir convencer seu namorado, Luís, que talvez não fosse uma boa noite para passarem juntos. Ela queria a companhia dele, mas só de pensar naquele sorriso irônico que ele dava algumas vezes, quando ela dizia alguma coisa que ele discordava, ela já sentia vontade de esganá-lo. De fato, seria melhor que não se vissem. No entanto, na mesma medida da irritação, sentia-se excitada. O homem da fila, por exemplo, não era nenhum Deus grego, era até um pouco gordinho, mas alguma coisa na postura dele a tirou do sério. Talvez a calça um pouco apertada ressaltando a bunda, talvez a barba por fazer, um pouco grisalha, ou o sorriso franco e a firmeza gentil com que respondeu a atendente.
Enfiava a chave na porta de sua casa quando o celular tocou.
- Oi, amor, acabei de chegar. Acho melhor não, estou bem cansada. Não, é sério... Deixa pra amanhã. Por favor, amor, deixa pra amanhã... Luís, deixa pra amanhã. Tá, depois a gente se fala. Eu também. Tchau.
Ficou ainda um tempo olhando para o celular. Arrependida, talvez. O sexo com Luís era gostoso e ela sempre ficava muito excitada. Mas faltava alguma coisa. Ela não tinha coragem de fazer as coisas que imaginava com ele e não sabia como ele reagiria se fizesse. Ele também não parecia se preocupar muito com o prazer dela. Júlia nunca havia tido um orgasmo com Luís. Não, não estava arrependida, aquela noite ela queria ter um orgasmo e para isso queria estar sozinha.
Durante o banho começou a se acariciar, mas parou. Queria fazer aquilo deitada, no escuro. Ainda com a toalha enrolada no corpo e o cabelo molhado, deitou na cama e passou a imaginar aquele homem sem nome beijando seus ombros. Imaginou como aquela barba deveria arranhar um pouco sua pele e sentiu-se arrepiar, sua imaginação tornava a cena cada vez mais real.
Devagar, ele soltou parte do peso sobre o corpo de Júlia, uma mão apoiada no colchão, a outra segurando fortemente a cintura dela. Ela podia sentir o calor daquela mão firme se espalhando pelo corpo. A respiração dos dois era ofegante. A expectativa dela era a de que ele parasse de beijar seu pescoço e beijasse sua boca, mas ele subia lentamente em direção à orelha. Foi quando ouviu a voz sussurrada, meio rouca, em seu ouvido:
- Você é linda.
Júlia sentiu o corpo dele se afastar por um instante e a mão firme soltando de sua cintura para segurar seu ombro e virar seu corpo de barriga pra cima. Sentiu-se exposta, mas estranhamente, daquele homem ela não sentia vergonha. Sentiu que tinha poder pra fazer o que quisesse com ele. E quando finalmente os lábios quentes do homem sem nome se aproximaram dos seus, ela segurou sua cabeça e empurrou em direção a seus seios. Teve um vislumbre de um sorriso safado no rosto dele, antes de sentir um beijo, logo abaixo do mamilo. Júlia chegou a prender a respiração de tanto prazer conforme a língua passeava por seu mamilo em movimentos circulares. Mas ela queria mais prazer que aquilo. Novamente empurrou a cabeça do homem para baixo, para senti-lo beijando sua barriga, seu ventre, sua virilha.
Sentiu seu corpo estremecer por inteiro quando aquela barba mal feita roçou pela primeira vez em sua boceta. Mas somente quando sentiu a leve mordida em seu clitóris é que deixou escapar o primeiro gemido. Daí pra frente, Júlia não conseguia mais se conter. Segurou com força os cabelos do homem, segurando a cabeça entre suas pernas. Seu quadril fazia os movimentos do ato sexual enquanto sentia a língua se mover por seu clitóris. Uma das mãos apertava seu seio, firme, mas não com força. Sentia tanto prazer que tinha a impressão de que sua cabeça derreteria a qualquer instante.
Foi quando suas mãos fraquejaram e ela sentiu o a boca do homem se afastar de sua boceta. Ela ia protestar, mas ele havia retomado o controle. Novamente, virou seu corpo de bruços na cama e ela sentiu o corpo quente deitando sobre o seu. Sentiu o pau dele entrando vagarosamente em sua boceta completamente encharcada e desejou que aquela sensação fosse eterna. O homem beijava seu corpo e falava coisas em seu ouvido que ela não conseguia mais entender, apenas ouvia a voz rouca e se derretia mais um pouco. As duas mãos seguravam seus seios e dedos acariciavam seus mamilos. O pau entrava e saia de seu corpo, não rápido, não devagar, mas constante e ritmado. Voltou a gemer e sentia que não conseguiria mais se segurar. Chegou a pensar em pedir para que ele parasse, mas pra que? Ela queria que ele continuasse, ela queria o orgasmo. Sua respiração estava curta e não existiam mais pensamentos. Sentiu que explodiria em milhões de pedaços e o pau continuava entrando e saindo. Não se conteve mais e explodiu.
O mundo desvaneceu por alguns segundos. O ar esvaziou de seus pulmões. Sentia-se leve.


Sozinha na cama e com a mão molhada, Júlia rolou para o lado e se deixou ficar por mais uns instantes.

3 comentários:

  1. Bem, só leio seus contos de não-terror, então ai vai minha critica: Poste mais, Julia foi o nome da minha primeira namoradinha então é fácil de eu entrar na historia como o namorado excluído KKKKKKKKKKKKK

    Nunca li um conto erótico gostei muito,
    soa poético porque o sexo é algo bonito e ensinam como se fosse pecado,
    e de fato a historia não se trata só do prazer.

    legau ! ;)

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  2. Cara, gostei mesmo do seu comentário. Não porque ele elogia o conto, mas porque você entendeu o real MOTIVO de eu escrevê-lo!!

    "Sexo é algo bonito e ensinam como se fosse pecado"

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