O céu de brigadeiro não oferecia a
menor resistência ao sol, que rompia a atmosfera e acariciava os incontáveis
pés de canas de açúcar que margeavam os dois lados da estrada, dando à
realidade uma moldura amarelada. Carros desrespeitavam o limite de velocidade
nos dois sentidos da via, que serpenteava sem mostrar sinal de civilização.
Tendo como destino final a antiga
capital mineira, o ônibus seguia inexorável, cruzando o Estado de São Paulo,
carregando em seu bojo dezenas de expectativas, saudades e ansiedades. Em
especial, a expectativa sentada na poltrona dezenove, que olhava pela janela a
paisagem quase que imutável, dando ao tempo a sensação de viscosidade. O que
olhava, no entanto, não era o que via. A monotonia da estrada havia criado em
sua mente uma janela que utilizava suas lembranças para construir imagens do
futuro.
Imaginava-se chegando àquela casa
rústica, no meio da ladeira de paralelepípedos, encontrando a porta destrancada
e chamando o nome dela, Lívia! para
ouvir a resposta abafada, porém, quase histérica vindo das entranhas da casa, você chegou, meu amor! as mochilas
esquecidas na soleira enquanto a dupla apaixonada se entregava a um abraço tão
repleto de emoções que tornava os beijos salgados pela invasão das lágrimas.
Imaginava Lívia com um short leve,
meio sentada meio jogada no tapete do quarto, com as pernas todas à mostra,
escolhendo um disco de vinil, Jefferson
Airplane?, a camiseta folgada deixando os seios grandes ainda mais
evidentes. Em meio a uma sugestão e outra, Travelling
Wilburys?, seu rosto radiante contando mil histórias acontecidas no mês em
que estiveram distantes.
Finalmente o sono venceu, mas ele
não era bondoso como suas expectativas para o futuro, mas sim amargo como parte
de seu passado. Flashes de sua família discutindo e da forma agressiva que
falavam, com todos aqueles xingamentos pesados no dia em que apresentou Lívia.
Das discussões que tiveram pela resistência de Lívia em assumir seu relacionamento.
Do dia em que a dupla apaixonada visitava as ruas de Porto Alegre e foi
hostilizada de maneira cruel por um grupo de jovens. Da decisão de Lívia de
abandonar São Paulo. A despedida.
Acordou com um solavanco e demorou
alguns instantes para se recordar de quem era, de onde estava e o que estava
fazendo ali. A visão da velha igreja se destacando na paisagem bucólica, verde
e azul, trouxe tudo à tona, Ouro Preto, Lívia, agora faltava pouco para o
verdadeiro encontro. Apesar do desejo de se levantar dali e sair correndo,
esperou que todos os passageiros descessem do ônibus para que pudesse se
levantar tranquilamente e vestir suas duas mochilas, a azul na frente do corpo
e a preta, mais pesada, nas costas.
- Obrigado – Disse ao motorista,
assim que encostou seu pé direito no chão da cidade, mas tudo que recebeu de
volta foi um sorriso esquisito que mais pareceu uma repreensão do que um
agradecimento. Talvez fosse coisa de sua cabeça.
O All Star surrado em seus pés não era o
calçado mais adequado para caminhar naquelas ladeiras de paralelepípedo, mas a
última coisa que parecia notar é que o calçamento irregular estava machucando
seus pés. Cada um daqueles sobrados meio incrustados nos morros, a forma
natural como a velha arquitetura colonial era mesclada com os portões
elétricos, tudo chamava sua atenção, o cérebro se atinha em todos os detalhes
como que para suportar a ansiedade.
Olhou para o relógio e percebeu que
havia chegado antes do esperado. Lívia não estaria em casa. Procurou a chave
escondida em um grande vaso, onde haviam combinado. Destrancou a porta e
respirou fundo, Lívia podia não estar em casa, mas a casa exalava o cheiro de
Lívia. Com o coração querendo saltar do peito, não aguentando esperar mais um
mísero segundo que fosse, começou a pensar em maneiras de fazer o tempo passar
o mais rápido que fosse. Levou as malas para o quarto e arrumou algumas coisas
no armário. Ligou o rádio. Guardou algumas roupas de Lívia que estavam
espalhadas. Foi ao banheiro e enrolou resolvendo algumas cruzadinhas. Lavou e
guardou a louça. Escutou a porta da frente se abrir. Deu um pulo de alegria.
Correu para a sala. Lívia estava ali. Parada na soleira da porta. As duas mãos
nas bochechas. Os olhos brilhando de felicidade. Nada mais no mundo importava.
Elas finalmente se encontraram. O beijo, o abraço e as lágrimas duraram cinco
minutos. A eternidade coube em cinco minutos.
- Glaucia, como eu te amo, que saudade,
que desejo! – As duas se afastaram e se admiraram por alguns instantes, mas
seus corpos ferviam, se desejavam, se atraiam como imã.
Glaucia girou seu corpo e fechou a
porta de entrada. Lívia beijava seu pescoço, uma mão enfiada em seus cabelos
enrolados, a outra segurando sua cintura. Glaucia a empurrava devagar, fazendo
com que Lívia andasse de costas, em direção ao quarto. Seus olhares se
encontravam e se lambiam como chamas de maçarico. Lívia começou a tirar a
camiseta de Glaucia, que apenas levantou os braços. Não usava sutiã, seus
pequenos seios estavam totalmente livres para serem acariciados. Os lábios de
Lívia abandonaram o pescoço e desceram suavemente dando beijos em direção ao
mamilo, onde deu uma mordida com um leve puxão antes de beijar. Preparava-se
para lambê-lo quando sentiu suas panturrilhas encostarem na cama e perdeu o
equilíbrio. Caiu na cama de costas e logo Gláucia estava sentada sobre ela,
tirando sua blusinha verde. A cor branca de Lívia contrastava com o cobre da
pele de Gláucia, as duas adoravam o contraste e isso as excitava ainda mais.
Glaucia debruçou sobre o corpo de Lívia, que sentiu os mamilos quentes em sua
barriga. As mãos de Glaucia buscavam o feixe do sutiã de Lívia sem sucesso. Um
par de mãos suaves e pequenas acabou ajudando, exibindo os grandes seios de
mamilos rígidos. Os corpos quentes se envolviam e se esfregavam com urgência.
Uma das mãos de Gláucia segurou com firmeza a coxa de Lívia, soltou, apertou
novamente, um pouco mais para cima, um pouco mais para dentro da saia. A mão
subia, apertando, até encontrar o fim da perna, a virilha, onde o caminho era
impedido pela calcinha. Com ambas as mãos e com um único puxão, forte e hábil,
a calcinha de Lívia foi arrancada até o joelho. Ela ergueu as pernas para que
Gláucia terminasse de tirá-la.
As pernas erguidas de Lívia, livres
da calcinha, se abriram completamente. Gláucia via o corpo completamente nu de
sua companheira. Os cabelos lisos e negros espalhavam-se pela cama, a expressão
de êxtase ardia no rosto, os seios grandes e brancos, os mamilos duros, cor de
rosa, a barriga e o piercing no umbigo, as curvas da cintura acentuadas pelo
quadril largo, as coxas robustas, os pelos compridos próximos à boceta
levemente aberta e completamente úmida. Gláucia abaixou o corpo lentamente, o
rosto em direção à boceta de Lívia, aumentando o tesão com a demora. Seus
cachos chegaram primeiro, mas logo Lívia pôde sentir o hálito fresco de menta
em seu corpo, o desejo que já era infinito aumentava. Gláucia finalmente passou
a beijar e lamber o clitóris de Lívia enquanto a penetrava com seus dedos. Com
a mão livre, limitava os movimentos involuntários de sua namorada, segurando
hora um dos braços, hora uma das pernas. Lívia podia facilmente desfrutar
daquele momento até o orgasmo, mas não era isso que ela queria. Com muita força
de vontade, saiu de baixo da companheira e foi sua vez de jogá-la de costas na
cama. Antes mesmo que Gláucia entendesse o que estava acontecendo, sentiu que
Lívia arrancava seu cinto e tirava seu bermudão, juntamente com a calcinha.
Antes que Gláucia protestasse, ela sentou sobre a namorada, de costas para ela
e desceu o corpo, segurando as duas coxas magras e fortes da cor do cobre.
Enquanto descia em direção à boceta totalmente depilada de Gláucia, sua própria
boceta se aproximava daquela boca que a lambia instantes atrás. As duas se
lambiam e se penetravam, as respirações ofegavam cada vez mais rápido e seus
movimentos também se tornavam mais rápidos, frenéticos. Elas rolavam pela cama
enquanto se davam prazer. Lívia sentiu que Gláucia se aproximava do orgasmo e
parou de lamber seu clitóris por um instante, queria que as duas sentissem
aquilo juntas, no entanto, seus dedos continuavam penetrando, pressionando
levemente o ponto G. Subitamente sentiu seu nível de tesão ir às alturas e
voltou a lamber o clitóris de Gláucia. Juntas chegaram ao céu e por lá ficaram
por alguns segundos. Separaram-se e deram as mãos. Olhavam para o teto e riam.
Ainda não era dessa vez que as duas
morariam juntas. Ainda havia barreiras para superar antes que pudessem
compartilhar o dia a dia. No entanto, as duas passaram o feriado o juntas,
conversaram, ouviram música, passearam pelas ruas de Ouro Preto de mãos dadas,
se beijaram na sorveteria como qualquer casal. O amor não escolhe gênero, o
amor não escolhe idade. O amor não conhece distância. O amor só ama, o amor
transcende as barreiras do moral e do imoral. O amor faz feliz. Gláucia e Lívia
são felizes.
Cara, gostei do conto, da atmosfera clichê, dos desejos sexuais das personagens. Me senti satisfeito com o texto, mesmo sendo só uma parte da vida das duas, esse pequeno pedaço da história traduz tudo. Realmente, eu li esse conto, e me senti satisfeito. Acho que o senhor está ficando muito bom em descrever também.
ResponderExcluirMuito obrigado, senhor Wagner :D
ResponderExcluirCara! Era isso mesmo que eu estava procurando!
ResponderExcluirUma suavidade, algo que toca, um sentimento de cara como isso é perfeito por si só e acaba se tornando imperfeito pelo preconceito.
Sério, parabéns mesmo, não tem como esse conto ficar melhor, o começo e o fim parecem um só, e o ponto de vista no final é o tapa que falta na cara de muitos!!
Parabéns e obrigado por abrir mais ainda minha mente !
Aeeee!!!
ResponderExcluirMuito obrigado :D