sexta-feira, 27 de junho de 2014

Canson A3 140 gr

Rodopios na cabeça, um milhão de mini-imagens.
Só que eu não vejo, ninguém vê.
Voam quietas e docinhas, agressivas ou apressadas.
Elas descem e sobem, pulam e dançam.
Me disseram: sopra o ar do peito, enche o coração e lá vai.
E foi.

O lápis na mão, no papel: linhas rabiscadas, pequenas loucuras,
quase tudo, quase nada.
Não sou eu.
É o caos. Sempre ele.

Líquido preto no potinho japonês.
Uma ideia que veio do fundo:
fundo da alma, fundo do corpo,
fundo daquela música bonitinha que me fazia lembrar de tudo que foi mas não deveria,
que o sol saiu tão quente e amarelava tudo que a gente entendia por

Tempo.
5 minutos em 1 hora
Tudo é infinito, mas tudo acaba
Tanto e sempre.
E faz lembrar do dia que a gente riu de um pássaro canibal no asfalto quente,
como se não nos devorássemos a cada segundo enquanto tínhamos
Tempo.

E eu te desenhava num pedaço do caderno,
num pedaço de lençol, na parede, nas estantes,
em tudo que foi e não era enquanto a gente pensa que conhece bem o traço de
alguém

Que não é nada além de saber riscar um riso,
uma lágrima, um filme favorito, uma mão que pega e puxa
pra debaixo daquele lugar quentinho enquanto chovia do nada

Carinho transbordando dos dedos no leve sabor do não-ser e
não-se-sabe-o-quê, mas sabe que foi o
Caos e que tudo nasce e acaba no

Líquido preto no potinho japonês

4 comentários:

  1. É o caos! Sempre ele!

    No fim das contas, não seria absurdo que vivêssemos apenas para entreter os deuses... Fazendo do caos o que nossa criatividade permite! Afinal de contas Wyrd bid ful araed, o destino é inexorável.

    Li aqui, e as palavras continuam ecoando na minha cabeça. Adorei!

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  2. WOW! É interessante como sua mente trabalha, é impossível tentar entender completamente mas mesmo assim me identifiquei. Muito bom !!!

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