quarta-feira, 19 de março de 2014

Um conto não contado

Certo dia José estava caminhando pela estrada da vida, e percebeu que estava andando em um caminho já mapeado, já descoberto, já explorado, cheio de setas e direções, avisando o caminho certo evitando José de falhar, cair em algum buraco, pisar na bosta, bater de cara em um galho ou se quer tropeçar.
Este caminho o levaria para a vitoria comum, que não deixa de ser vitoria, mesmo sendo adquirida através da ignorância e do comodismo.
José começou a ficar desesperado, se acalmou e logo saiu deste caminho e avançou por uma trilha nova, que estava cheia de buracos, relevos altos e baixos, com uma imensa quantidade de mato, era notável que esta trilha nunca havia sido trilhada. Decidiu então que seguiria por este novo caminho.
Alguns dias ele enfrentava pragas, feras e até figuras malignas e estúpidas chamadas de Seres Humanos Ignorantes. Mas José agora era ninguém, e como ninguém pensa antes de agir, vencia cada desafio e seguia firme cortando o mato, abrindo caminho e trazendo alegria, paz, tranquilidade e amor para todos que conhecia, e tudo isto, sem segundas intenções, afinal ninguém tem essas intenções.
Às vezes José se deparava com depressões em seu caminho, mas já que ninguém resolve seus problemas antes de eles crescerem, José não se deixava abater.
Ninguém continuava alegre mesmo nas dificuldades e sabia que iria amadurecer muito a cada problema resolvido, graças a isso continuava seguindo passo por passo.
Ninguém é leal aos amigos.
Ninguém respeita a todos.
Ninguém vive sua própria vida.
Ninguém cria seu próprio caminho.
José não passa de um Zé ninguém,
Afinal, ninguém é igual José.

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