quinta-feira, 6 de março de 2014

O Esquema, Vida ou Morte? - Parte 1

            - Xerife! - gritou João,  atuando impecavelmente seu júbilo.
            - Ah, aqui está você - ele respondeu, já falando num tom mais confortável quando o outro chegou mais perto.
            - Parece que temos aqui uma execução a moda antiga, hã?
            - É o que esse merda merece.
            Carlos Ramirez, um grande criminoso, se postava sob a Árvore. A Árvore era o meio de execução considerado mais cruel, embora não fosse cruel em sentidos práticos, mas sim no que a Árvore significava. Tendo três metros de altura, ela era toda seca, sem nenhuma folha em qualquer estação que estivesse. Uma corda resistente - e de um material que João não conseguiu identificar -, numa extremidade, estava amarrada no pescoço do criminoso, enquanto a outra laçava o ríspido galho da Árvore. Carlos, o acusado, se sentava sobre uma pequena nave, que quando esta fosse acionada pelo xerife,  a corda retesaria enforcando-o.
            '' Procurado em 7 mundos desta galáxia, foi considerado culpado...''
            João não ouvia o arauto com muita atenção, se limitou a trocar alguma palavras casuais com o xerife e rondou a multidão que assistia o justiça sendo feita.  
            ''... pelos crimes de homicídio, assalto de bancos e inocentes...''
            O planeta era Vênus, onde o cenário era completamente desértico e com dunas. No entanto, aquela cidadela, como outras no planeta, o solo era mais resistente e menos suscetível. João fumava seu charuto e caminhava meio que sem rumo aos olhos alheios, mas indiscretamente ele tracejava um caminho até a sua nave, ou melhor, sua casa.
            ''...  roubo de objetos potencialmente ameaçadores, incêndio a construções estatais...''
            A nave ficava atrás de uma duna - João queria se assegurar de que ninguém soubesse que ela era dele, mesmo que parecesse provável -  um pouco próxima da situação. Antes dele desaparecer, seus olhos percorreram a multidão até o xerife, logo depois se encontraram com o de Carlos. João sorriu levemente, indicando que estava tudo certo.
            ''... desertor da sua nação, assim como o abandono da sua família ...'
            O criminoso xingava tudo e a todos, desmentindo seus crimes numa encenação, porém na realidade eram somente mais mentiras. João apenas observava por um último momento aquela farsa, sabendo que, a bem da verdade, o homem estava feliz. Feliz porque estava certo de que o esquema iria correr maravilhosamente bem como o da última vez. João salvaria ele e depois eles dividiriam toda a preciosa grana da recompensa em partes iguais.
            ''....  portanto, a bem da legalidade e, acima de tudo, do bem-estar da nossa sociedade...''
            João desapareceu atrás da duna e imaginou o rosto de Carlos, momentos antes da morte, regozijando-se. O caçador de recompensa deu uma risada rouca e alta, não pôde evitar. Até gostava um pouco do homem, mas não deveria se arriscar estar em um cartaz de procura e todo aquele plano ir por água abaixo.
            ''... condenamos o acusado sob a Árvore, Carlos Ramirez, a ser enforcado até morrer. Que Vênus tenha piedade da sua alma.''
            Carlos deu uma risada seca e calorosa. A nave abaixo dele ligou e deslizou suavemente sobre sua bunda. Seu semblante foi se tornando surpreso e preocupante. Os olhos viraram para a duna na última vez que vira João, no entanto, não divisou-o. Num determinado momento seu corpo ficou sem apoio. Uma dor súbita se manifestou na garganta. Não conseguia respirar. Em um rompante histérico, se debateu até não sobrar mais forças. Até que toda aquela exaltação cessou e suas pernas pararam de se agitar.
            O xerife sorria. A imprensa chegou e ele foi ter o seu momento de fama por ter executado um grande criminoso, nem se dava conta mais do dinheiro que o caçador recebera pela recompensa, e por ter ficado de boca fechada.
            Já em outro lugar, na sua casa, João tinha no rosto um sorriso sutil. Movia os ágeis dedos numa infinidade de moedas de ouro. A cabeça numa ponta do sofá, enquanto os pés descansavam na outra.
            

4 comentários:

  1. Cara, por enquanto, está magistral!

    Tanto a história, quanto a escrita!!

    Parabéns irmão!

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  2. NÃO POSTA EM PARTES, PORRA! ;-; Esse começo ta dando uma ótima primeira impressão, vamos ver. Ta bem escrito, ta bonito, melhor do que eu faria, mas bem, até agora se mostra ser uma ideia clichê, mas novamente, NÃO POSTA EM PARTES, é isso ai. ^^

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