Dezembro
é sempre assim, mal começa e as propagandas a respeito do natal já estão
dominando completamente os meios de comunicação. É impossível assistir
televisão, ouvir rádio ou mesmo passear pelas ruas centrais da cidade sem perceber
que o ano está acabando e que o natal está chegando. No entanto, o natal parece
cada vez mais estar vinculado ao papai Noel e a troca de presentes do que ao
próprio nascimento de Cristo. Para alguns como Armando, o natal é a data onde
se comemora a chegada do papai Noel e mais um aniversário.
Armando é um milagre. Quando sua mãe
engravidou, já contava com sessenta anos de idade e seu pai com setenta e
quatro. Como é filho único, não tem outro parente além de sua mãe, seu pai
morreu de infarto quando tinha cinco anos. Excetuando os amigos da escola,
Armando sempre foi muito sozinho.
Era
dia vinte e quatro e não conseguia se conter de ansiedade, sabia que esta noite
papai Noel o visitaria e deixaria um presente em seu quarto para quando
acordasse, e melhor que isso, sabia que sua mãe também teria algo para lhe dar,
pois afinal de contas o natal é um dia muito especial, é seu aniversário. Vinte e quatro era o dia dos preparativos.
Levantou-se da cama, lavou o rosto, escovou os dentes e foi para a cozinha onde
sua velha mãe já lavava a louça do próprio café.
- Bença mãe!
- Bença. Tome seu café, meu filho, a
mãe vai sair hoje pra arrumar umas coisa do dia de amanhã, preciso que me ajude
limpando a casa, lembra que o papai Noel não gosta de criança que vive em casa
suja!
- Sim, senhora.
Tomava café da manhã ainda quando
viu sua mãe sair para tomar o ônibus que a levaria para o centro da cidade.
Levantou-se da mesa, foi à sala e ligou a televisão, desenho animado, aumentou
o volume e voltou para a cozinha, terminaria de comer seu pão com margarina e
seu leite com Toddy e depois começaria a arrumação por aquele cômodo mesmo.
Precisava fazer tudo direitinho para garantir a vinda do papai Noel.
Terminou a arrumação da casa por
volta das quatro horas da tarde, cansado. Mas, o sentimento que dominava sua
cabeça era a preocupação. Sua mãe nunca demorava tanto fora de casa. Para
tentar eliminar de sua cabeça todas as preocupações, ele foi para o banheiro e
tomou um demorado banho. Quando terminou, sua mãe ainda não estava em casa.
Para passar o tempo enfeitou um par de meias e recheou-os de mato que pegou na
rua, para que as renas pudessem se alimentar enquanto o papai Noel deixasse seu
presente.
Preocupado. Sua mãe ainda não havia
chego.
Sentou-se no sofá e assistiu televisão
até dormir. Despertou de súbito uma hora da manhã, já era natal, já era seu
aniversário. Sua mãe não havia voltado. O papai Noel ainda não tinha deixado
seu presente. Esperaria. Sentiu fome, na cozinha encontrou tudo o que precisava
para repor suas energias, leite, Toddy e um pacote de Passatempo.
Perto das duas da manhã, com
lágrimas por todo o rosto, Armando resolveu que subiria no telhado para tentar
avisar o papai Noel e pedir para que esse o levasse com ele. Tinha certeza que
algo de muito ruim tinha acontecido com sua mãe. Aos sessenta e oito anos ela
sofria de vários males e andava com a saúde muito abalada. Armando apesar dos
seus poucos e recém feitos oito anos tinha presenciado a morte de seu pai e
sabia que a da mãe poderia vir a qualquer momento. Não adiantava fingir, ele
sabia o que tinha acontecido com ela.
Pediria para que o papai Noel o
transformasse em um de seus ajudantes. Ele era forte, sabia que poderia passar
o ano todo trabalhando na fábrica de brinquedos sem se importar com o constante
frio do Pólo Norte. Armando sorria entre as lágrimas, pois sabia que seria
aceito e se tornaria ajudante de papai Noel.
Começou a trepar pelo muro em busca
do telhado, um pé, depois o outro, mais um pouco, sua primeira mão alcançou o
telhado, soltou o peso do corpo nela. Sentiu a telha escorregar, o telhado cada
vez mais longe. Uma dor, rápida, muito rápida como um raio, percorreu seu
corpo, sentiu tudo ficar quente por alguns instantes, não sentiu mais dor,
olhava o céu, tentava se mover. Nada. Continuava simplesmente olhando o céu,
sorrindo, chorando.
A noite estrelada tornou-se
embaçada, alguma coisa se aproximava, eram garotos de sua idade, ajudantes de
papai Noel? Eles voavam? Tudo se tornou mais claro, um dos garotos com asas
curvou-se sobre seu rosto. Armando sentiu um beijo quente e carinhoso.
Foi a mãe dele beijando ele ou só um anjo qualquer? De qualquer modo, bacana, curti! ^^
ResponderExcluirCara, eu não tinha pensado na mãe dele... De qualquer forma, eu dei uma lida... E pode ser sim... Seria muito bacana se fosse!
ResponderExcluirEsperamos que tenha sido!