quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Eu poderia começar a escrever com a constatação de que uma janela se quebrou, mas, ainda não sei se no fim de tudo este título me agradará

Uma janela quebrou.
O tempo de reflexão entre o “algo se quebrou” e “o que se quebrou foi a janela” foi mínimo, para a percepção consciente foi como se o barulho do vidro estourando significasse precisamente que a janela havia quebrado. A esta reflexão, seguem outras, cada vez mais perturbadoras.
A janela não pode SE quebrar, ela deve necessariamente SER quebrada e isso exige uma ação: algo ou alguém quebrou a janela. Posto que estou no cômodo de cima, sentado em minha escrivaninha com a caneta arranhando o papel e a janela foi quebrada no cômodo inferior, o algo ou alguém que quebrou a janela não fui eu.
Estou sozinho na casa, pelo menos deveria estar, ou, originalmente eu estava sozinho na casa, agora já não sei. Isso significa que devo proceder uma investigação empírica para descobrir se foi algo ou alguém o agente da destruição da janela. Janela esta que não posso chamar de minha, o que torna a situação mais perturbadora.
Existe uma diferença muito grande entre “morar sozinho em uma casa” e “estar sozinho em uma casa”. Quando moramos sozinhos em uma casa acabamos nos habituando a casa e à solidão dentro desta casa, o costume nos torna corajoso. Não é o caso. Estou sozinho em uma casa, não estou habituado a estar sozinho em casas e não estou habituado a esta casa, é justamente por isso não posso dizer que esta janela seja minha. Minha casa está segura e habitada no lugar onde sempre esteve e não existe algo ou alguém quebrando janelas e perturbando os hospedes solitários por lá.
Se não houvesse certa urgência em averiguar o motivo da janela ter estourado, certamente que escreveria neste papel o motivo de estar sozinho em uma casa que não é minha...
OUVI ALGO!
Desta vez minha cabeça não pode processar o que pode ter significado este som, no entanto, ouvi claramente algo no andar inferior e não tenho coragem para largar esta caneta e proceder com uma investigação. Eu sou do tipo que prefere narrar fatos do que o tipo que prefere participar dos fatos. Estou muito bem, pelo menos deveria estar, aqui nesta escrivaninha.
Os barulhos lá embaixo se intensificaram e posso perceber que algumas alterações se realizam em meu corpo, minha escrita está mais ansiosa e rápida o que reflete em uma letra mais agarranchada, apesar de continuar legível. Meu coração bate como se quisesse pular de meu peito e um suor frio escorre de minha testa. Minha perna chacoalha e eu posso ouvir nitidamente o barulho da minha resp...

PASSOS AQUI EM CIMA e eu não me lembro de ter fechado a porta deste quarto. Como estou de costas para a entrada e de frente para a janela do quarto, eu teria de virar minha cabeça e olhar se a porta esta fechada ou não, mas, talvez tomado por covardia prefiro simplesmente torcer para a porta estar fechada e continuar com o nariz enfiado nesta folha tartamudeando orações para que nada de ruim aconteça co

Um comentário:

  1. CARA! Eu lembro de uma creepypasta divina bem parecida com o seu texto, você sabe do que falo? É um conto de terror ótimo, tanto quanto o seu. Sempre pensei em escrever algo assim, coisa que nunca fiz...

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