Aos olhos do
garoto, aquela encanecida mulher era uma meretriz, é, realmente era. ''Faça isso, faça aquilo, faça tudo e mais um
pouco''. Puta prolixa. Mas o que
o irritava mais nela era o fato da negação. A velha negava tudo e aconselhava
coisas óbvias, é claro, puta prolixa é
assim. O jovem chegava de seu fervoroso trabalho fadigado e a prostituta dizia
não ser o suficiente, dizia que ele não havia atingido seu máximo, que ele poderia ser
melhor. Lúmia maldita! Seus cabelos grisalhos
e longos, seu corpúsculo magro e lívido digno de uma eminente bruxa, tornava-a
asquerosa ao garoto que não mais ouvia ela sem estar enojado. E como uma
feiticeira fazia-o aquiescer, fazia-o assentir ressentido outrora.
- Velha, passe-me um destes alimentos que esta dentro
deste víveres - pediu o jovem cowboy, numa
voz austera e rosto impassível, peculiar de um pistoleiro. - Já que não quis
mesmo me comprar o que lhe pedi.
- Olhe como você dirige as palavras à mim, garoto
insolente, mal saíste da fralda ainda - disse
a mulher ríspida. - O que tu pediste pouco importante era e não, a comida saíra
daqui a pouco, seja paciente!
- Bruxa! Um dia, quando eu crescer, seus feitiços não
terão efeito sobre mim! - vociferou o rapaz, imbuído de ódio.
- Quando crescer, não, apenas quando tiver teu próprio
leito e comida. No entanto, agora depende de mim jovem pistoleiro e por favor,
só plantarás sementes em uma fêmea no momento em que tiver seu leito abastado,
só isto que te peço.
- Não me diga o que fazer, velha. Possuo escrúpulos. Não
sou igual a tu e nunca serei. - explodiu o garoto, que seguia rumo ao quarto,
relutante e , por efeito de magias, desgostoso com o que acabara de ter dito a
mulher.
De um modo mórbido - e não querendo acreditar nisso,
porém era verdade, não uma mentira - o cowboy gostava da velha, sim, amava-a.
Se alguém apontasse uma arma para a mulher, provavelmente ele entraria na
frente dela, sem dúvidas, como para protegê-la. Não sabia o porquê, nem como, e
muito menos era um feitiço; mas como qualquer outra coisa que ele já dissera a
ela, no fundo ele sabia a verdade, bem, bem no fundo, onde seu coração estava
ofuscado pelo orgulho, pela idade incongruente.
E num belo dia de inverno, o jovem pistoleiro chegava em
casa. Novos revólveres no coldre, os mais vorazes e perigosos que um dia chegou
a carregar. Como seria de costume eles estariam apontados para a velha, como
somente ameaça e rebeldia, entretanto, desta vez não acovardavam a encanecida
mulher que estava no limiar da casa, limpando o umbral da porta com uma
vassoura, usada pouco antes, numa parede ao lado. Eles amedrontavam a si
próprio, em uma guinada que a mulher já
lhe mencionará, já lhe advertira.
Com um poncho marrom e pouco pomposo usado somente no
inverno, atravessou a mulher, sem fitá-la direito, escondendo ao máximo os
revólveres de iminente perigo. Não disse nada, apenas seguiu até o quarto. A
mulher provavelmente pensou ser outro de seus atos inconvenientes e também não
disse nada. Em átimo estava no quarto, caiu no leito e tentou tirar os
revólveres de si, mas pouco conseguiu, eram pesados demais, venosos demais.
Revólveres que, logo mais, estariam detidamente nas mãos de uma criança,
pirralho este que não apenas ameaçaria com as pistolas, mas as usaria de alguma
forma.
Como eu disse: É um tipo de texto maravilhoso. São palavras que eu não conseguiria escrever se eu quisesse, e eu aprecio muito, mas prefiro o estilo simples. ^^
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