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Eu imagino o amor como uma partitura.
Para quem não o conhece, ele não faz o menor sentido, parece um conjunto de
normas que só serve para que a pessoa fique presa, dependente de algo da qual
ela era totalmente livre antes de conhecer, mas para quem conhece de perto,
percebe que do amor é possível extrair coisas fantásticas, é só saber como
tratá-lo. Assim como observamos nas partituras, cada amor é único, se você pega
uma partitura e a toca literalmente ela sempre vai soar como a mesma música, e
mesmo que outra pessoa a escreva, se a cópia for fiel, ela não será outra
música, será a mesma, ou seja, cada partitura diz respeito a exclusivamente uma
música, assim como cada amor diz respeito exclusivamente a um casal. Não existe
amor igual em dois casais, assim como não existe partitura igual para duas
músicas.
O artista de jazz se destaca justamente
por não seguir sua partitura exatamente como ela manda. O artista de jazz não
pode ser previsível, ele tem que saber o local onde transgredir a partitura, se
ele for feliz, sua transgressão resultará em uma improvisação que torna a
música mais bela do que a sua própria partitura, mas se ele não for feliz ele
pode destruir a música, sem chance dela voltar a ser como era. Para nós
músicos, o amor é encarado da mesma maneira, ele já é bonito se seguirmos suas
regras pré estabelecidas, mas nós precisamos arriscar, transgredir, torná-lo
mais belo e surpreendente, evitar deixá-lo tornar-se monótono, pois assim como
ouvir uma música repetidas vezes, da mesma forma é cansativo, um amor monótono
também o é. Quando acertamos, o amor se torna mais forte, no entanto, se
errarmos, temos a chance de destruí-lo.
Quando conheci a Clarisse, eu jamais
poderia imaginar que entre ela e o Hélio seria composta alguma partitura. Assim
como muitas vezes a música pode surgir de uma situação imprevisível, como o
ritmo de uma goteira, o amor pode surgir em qualquer situação, no fim das
contas eu penso que ele não parece uma música, mas sim que ele é a própria
música. Um amor à primeira vista, uma inspiração. Um relacionamento que se
firma aos poucos, uma partitura composta com esmero e dedicação. Qual é sua
música favorita? Qual é a sua maneira de amar?
Hoje é um dia especial e como eu já
disse, não necessariamente o meu, mas eu me sinto parte disso tudo, estou
apenas esperando a Clarisse chegar, ela já deve estar uns cinco minutos
atrasada, sorte minha, sem esse atraso não teria tido tempo de chegar a esse
ponto da história. Se vamos tocar, sim, vamos tocar, mas hoje a banda está com
uma formação um tanto diferente. O Hélio não está no palco conosco e convidamos
uns amigos para nos ajudar na apresentação de hoje. Se o Hélio está aqui
conosco? Sim ele está, mas é que ele está lá no altar esperando a Clarisse
chegar... Hoje realmente é um dia muito especial... Lá vem ela, e pela primeira
vez na minha vida eu vou tocar uma marcha nupcial. Até um dia e obrigado pela
atenção.
FIM.
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