Armário
Com o rosto para cima, fitou o
chuveiro e a água saindo uma única vez antes de desligá-lo. Pegou a toalha sobre o box e se enxugou calmamente.
Fábio era gordo, não que aquilo
fosse um problema para ele... ou para sua mãe - os outros e eles tinham problema com aquilo. Ainda morava com ela e tinha 25 anos,
mas também não era nada anormal.
Empurrou a porta corrediça e sentiu o
ar gelado. Ao mesmo tempo ouviu um
pequeno estrondo, provavelmente era a mãe, limpando seu quarto, mas não custava
nada perguntar.
- Mãe?! - gritou. Esperou um pouco, secando o cabelo e saboreando a sensação de estar nu.
Não houve resposta.
Estendeu a toalha novamente no box e
se virou para porta. Tinha o costume de ir pelado até o quarto.
- Mãe, o que aconteceu? - gritou de
novo, abrindo a porta.
Não gostava que ignorassem ele. Que diabos
ela estaria fazendo que não podia responder?
Com passos pesados seguiu o caminho
até o quarto. Estava arrepiado.
A porta estava aberta. Seu chinelo
repousava ao lado do armário que tinha desde a infância. Aquele armário que sempre
tivera pesadelos e que a mãe não dizia ser nada.
- Agora vai ficar nessa de não
responder? - disse em tom baixo. Sentia um medo estranho.
Sobre a cama havia um livro velho e
com toda certeza cheio de pó. Na capa dizia: Necronomicon
-
Que livro é este, mãe? - mais silêncio.
Com medo, mas sem hesitar, entrou
definitivamente no quarto. A primeira coisa que reparou foi que a porta do
armário estava aberta. Ainda tinha os adesivos dos Cavaleiros do Zodíaco. Seu
estômago embrulhava, numa dança antiga e maligna. Não queria ver o que tinha
dentro do armário.
Então, viu um pouco de sangue no
chão.
- Oh, mãe...
Na adrenalina, se impeliu para
frente, superando o medo.
Ficou de frente para o armário.
Ele viu. Arregalou os olhos. O
cheiro de livro mofado inundando suas narinas.
- OH, DEUS! NÃO, NÃO! EU DISSE! EU
DISSE! NÃO, PELO AMOR DEUS!
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