quinta-feira, 15 de maio de 2014

Estórias criadas no banheiro #4

Armário
            Com o rosto para cima, fitou o chuveiro e a água saindo uma única vez antes de desligá-lo.  Pegou a toalha sobre o box e se enxugou calmamente.
            Fábio era gordo, não que aquilo fosse um problema para ele... ou para sua mãe - os outros e eles tinham problema com aquilo. Ainda morava com ela e tinha 25 anos, mas também não era nada anormal.
            Empurrou a porta corrediça e sentiu o ar gelado.  Ao mesmo tempo ouviu um pequeno estrondo, provavelmente era a mãe, limpando seu quarto, mas não custava nada perguntar.
            - Mãe?! - gritou.  Esperou um pouco, secando o cabelo e saboreando a sensação de estar nu. Não houve resposta.
            Estendeu a toalha novamente no box e se virou para porta. Tinha o costume de ir pelado até o quarto.
            - Mãe, o que aconteceu? - gritou de novo, abrindo a porta.
            Não gostava que ignorassem ele. Que diabos ela estaria fazendo que não podia responder?
            Com passos pesados seguiu o caminho até o quarto. Estava arrepiado.
           
            A porta estava aberta. Seu chinelo repousava ao lado do armário que tinha desde a infância. Aquele armário que sempre tivera pesadelos e que a mãe não dizia ser nada.
            - Agora vai ficar nessa de não responder? - disse em tom baixo. Sentia um medo estranho.
            Sobre a cama havia um livro velho e com toda certeza cheio de pó. Na capa dizia: Necronomicon
            - Que livro é este, mãe? - mais silêncio.
            Com medo, mas sem hesitar, entrou definitivamente no quarto. A primeira coisa que reparou foi que a porta do armário estava aberta. Ainda tinha os adesivos dos Cavaleiros do Zodíaco. Seu estômago embrulhava, numa dança antiga e maligna. Não queria ver o que tinha dentro do armário.
            Então, viu um pouco de sangue no chão.
            - Oh, mãe...
            Na adrenalina, se impeliu para frente, superando o medo.
            Ficou de frente para o armário.
            Ele viu. Arregalou os olhos. O cheiro de livro mofado inundando suas narinas.
            - OH, DEUS! NÃO, NÃO! EU DISSE! EU DISSE! NÃO, PELO AMOR DEUS!
            

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