O
Escritor
A culpa era dele. Quem mandara
transformá-la naquilo? Era tão boazinha
e mimada. Uma princesa em busca de seu príncipe poeta. Tudo bem, podia até ser
obsessiva por ele, mas, quem não seria? Se fizera ela assim, daquele jeito?
Agora chorava.
Mas a culpa não era dela.
A nona sinfonia de Beethoven tocava
na vitrola, num tom baixo e suave. Deixando sinistro o ambiente.
Luana chorava.
Vestiu o avental e pegou a faca. Uma
mão repousava na sua frente. Estava branca, morta. Sem hesitar, cortou-lhe o
polegar.
O som de carne rasgando.
Colocou o polegar na boca e
mastigou. Estava saboroso.
- Bem, acho que nunca mais vai poder
escrever.
Nenhum comentário:
Postar um comentário