quarta-feira, 14 de maio de 2014

Estórias criadas no banheiro #2

O Escritor
            A culpa era dele. Quem mandara transformá-la naquilo?  Era tão boazinha e mimada. Uma princesa em busca de seu príncipe poeta. Tudo bem, podia até ser obsessiva por ele, mas, quem não seria? Se fizera ela assim, daquele jeito?
            Agora chorava.
            Mas a culpa não era dela.
           A nona sinfonia de Beethoven tocava na vitrola, num tom baixo e suave. Deixando sinistro o ambiente.
            Luana chorava.
            Vestiu o avental e pegou a faca. Uma mão repousava na sua frente. Estava branca, morta. Sem hesitar, cortou-lhe o polegar.
            O som de carne rasgando.
            Colocou o polegar na boca e mastigou. Estava saboroso.
            - Bem, acho que nunca mais vai poder escrever.

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